sábado, 15 de março de 2008

O medo do poeta

Sabe o que me perturba? O que realmente me mete medo? Morrer e não ser lembrado. Não por amigos e parentes, mas pelo mundo. Passar em branco pela terra é como nunca ter nascido. Infelizmente esse é um dos maus que assolam grandes gênios esquecidos. Podemos usar por exemplo um poeta mineiro que nasceu no início do século passado (1902) e como bom filho de seu estado natal, seguiu o movimento Modernista que se espalhava pelo mesmo. Sua poesia era fascinante, mais do que o próprio poeta em si, e esse é um medo que todo poeta possui, e se não possui, deveria possuir. O medo de ser lembrado pelas suas palavras e não pelo seu nome.

Todo mundo conhece aquele famoso trecho: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” , mas quantos sabem quem o escreveu? Infelizmente, aqui no Brasil, às vezes, damos mais valor à obra do que ao autor em si. Os poetas são normalmente esquecidos, ou deixados de lado. Para quem não conhece o autor desse famoso poema, lhes apresento Carlos, ou como é mais conhecido: Carlos Drummond de Andrade.Com Drummond não foi muito diferente, apesar de ser um poeta extremamente conhecido e de muita influencia para sua geração, assim como o francês Rimbaud, citado no artigo anterior, Drummond nem sempre é visto ao lado de sua poesia. Dissocia-se ele de sua obra na maioria das vezes.

Todos nós sabemos quem foi Carlos Drummond de Andrade, mas poucos de nós sabem quais poesias famosas ele escreveu. Ele é venerado como grande poeta, mas esquecem de associar ao poeta a sua poesia. É como se víssemos o nome no fim do papel, e depois lêssemos o que o precede (o poema, o texto em si) sem unir um ao outro.

E isso não ocorre apenas com esse ilustre poeta. Outros grandes poetas sofrem do mesmo mal nessa terra injusta. Talvez por que nem todos os poetas daqui sejam tão interessantes quanto a sua poesia. De fato, afirmo que nem todos vivem o que escrevem, e isso chega a ser deprimente. Talvez seja por isso que cresce cada vez mais o numero de textos e poemas assinados como “anônimo” no lugar aonde deveria ostentar o nome de um possível autor.

Acredito que o poeta deve ser levado mais em conta do que o seu próprio trabalho, pois o mesmo só devera refletir o que ele é. Falar de algo sem ter vivido é como ensinar sem que ninguém tenha aprendido. É por isso mesmo que se especula muito sobre os versos de uma poesia. Podemos ver isso claramente quando o poeta em questão escreveu aquele famoso verso já citado, “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”, falaram tanto sobre esse pequeno trecho que o próprio teve que esclarecer que o poema falava apenas e só apenas de uma pedra de verdade e não de problemas ou dificuldades como se era pensado na época.

Até que ponto o poema fala diretamente e quando é que ele quer dizer outra coisa? Ninguém sabe ao certo. Às vezes nem o autor. Por isso, sigo um dos ditados mais conhecidos de Sigmund Freud: “Às vezes um charuto é apenas um charuto”. Drummond não teve a mais interessante das vidas, mais não deixou de ser um grande poeta. Por isso, recusem-se a crer que um poema é simplesmente anônimo. Não matem o poeta antes que ele mesmo o faça.

Apesar de que, como diz o ditado: poeta bom, é poeta morto.

5 comentários:

Thaise de Melo disse...

É meu caro, assustador e difícil o que você propõe aos escritores. Em geral se o poeta aparece em demasia o que fica na memória do povo são suas ações e toda a poesia é esquecida, mas se o poeta quase não aparece a poesia é lembrada, mas o poeta não...
Sendo assim, ficamos meio que em um beco sem saída, mas sinceramente, eu preferiria que o que eu escrevo ficasse na memória, pois tudo que eu escrevo são pedaços de mim.

Beijos!

P.s: Blog melhorando sempre.

Unknown disse...

Bem, não sei se redatores podem comentar, mas eu tive que vir aqui, pq a noticia ficou muito boa mesmo.

E essa frase ("tinha uma pedra...") já foi por diversas vezes tema de nossas conversas. gostei mesmo do jeito q vc abordou.


parabens.

Nina 512 disse...

Bem, o comentario de cima eh meu. ¬¬

o email da minha turma tava logado. sorry.

Andréia Lino disse...

Blogagem coletiva em Defesa da Criança - Dias 18 e 25 de maio - Eis o convite:
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bjka sucesso

coizinha disse...

poetas bons serão sempre poetas mortos enquanto nesse pais de me*** existirem pessoas que insistem em NÃO valorizar a verdadeira cultura no lugar desses insutos fonograficos que dominam esse paisinho de quinta!!!

muito bom o blog.