terça-feira, 11 de março de 2008

Poeta Maldito


Rimbaud, Jean-Nicolas Arthur Rimbaud. Esse foi o nome soletrado pelo livreiro de um desses sebos sujos do centro da cidade. Há muito tempo eu procurava por um poeta de qualidade que fosse de fora do país, caminhei por entre aquelas lojas de livros sem entender muito bem o que estava fazendo. Será que chegar no balcão e simplesmente dizer: "me vê um livro bom de poesia estrangeira" bastaria? Pois não é que bastou! O homem me trouxe uma tradução antiga de uns poemas do tal Rimbaud. Aquilo tudo se tornou maravilhoso nos dias seguintes, mas como todo bom escritor/poeta/jornalista/enxerido, não me contentei com apenas aquilo. Eu precisava absorver a alma daquele poeta.

Nos dias que se passaram, procurei por sua biografia e me senti cada vez mais interessado. Rimbaud era um simbolista, ou seja, escrevia por meio de uma linguagem simbólica. A poesia dele era daquela que te obrigava a parar pra pensar sobre o que tinha lido, não da forma chata como alguns poetas fazem hoje em dia, ou da forma como seus sucessores tentaram, em vão, fazer.

Desde jovem, Rimbaud já se mostrava como um gênio. Era Francês e entre quinze e dezenove anos escreveu seus melhores poemas, textos esses que influenciaram uma geração futura de jovem poetas e continua a se mostrar presente nos dias de hoje, apesar de não ter a mesma força de antes.

O jovem poeta se destacava por uma série de peculiaridades correspondentes à sua personalidade, que nem sempre foi muito bem explicada. muitas dessas peculiaridades podem ser consideradas lendas, mas a linha que divide o Rimbaud verdadeiro, do Rimbaud falso é tão tênue, que possivelmente nem existe. Desde cedo ele já assustava a burguesia e a sociedade local por causa de seus trajes rotos e seu cabelo grande. Usuário assumido de haxixe e absinto, manteve relações sexuais e casos amorosos com ambos os sexos, alem de claro, arrebatar corações desavisados por causa de seu charme e beleza quase andrógina.

André Guide o descrevia como um “poeta maldito”, e o mesmo parecia gostar de carregar essa alcunha, sempre mantida com a ajuda do álcool, ou como o próprio Rimbaud descrevia em suas poesias tão cheias de significado, “o famoso gole de veneno”.

Outra peculiaridade interessante sobre o poeta era o fato dele chamar a todas as suas amantes femininas pelo mesmo nome, como se ele tivesse idealizado uma mulher perfeita e sempre se referia a suas mulheres como sendo a mesma. Também houve o fato do mesmo ter ido para um exílio na África que acabou com a sua morte, exílio esse escolhido pelo próprio poeta logo depois do mesmo ter divagado sobre possivelmente ter inventado Rimbaud. Morria assim o poeta Rimbaud e nascia o contrabandista de armas Rimbaud (sim, o cara deixou de escrever poemas lindos e cheios de sentimento para ir vender armas na África do Norte).

Entre tantas coisas e mitos que cercam essa personalidade quase que mítica, encontramos um jovem de olhos claros e cabelos bagunçados. Rimbaud de fato tinha vindo para o mundo disposto a ser maior que a vida, e em apenas 37 anos de uma breve existência, conseguiu tal feito, influenciando toda uma geração de poetas franceses.

Assim foi a vida trágica de Rimbaud, único na história dos homens, só, eternamente só, enigmático e poético.

1 comentários:

Lucas Conrado disse...

Espera ae, o Rimbaud vendeu armas mesmo ou é apenas uma de suas lendas?
Nossa, nunca imaginei que ele teria uma vida tão interessante. Pouco ouvi falar nele e não sabia de metade do que li aqui.
Bem, quanto às poesias dele, tenho a impressão que eu as leria e não entenderia nada... Sou um desastre pra poesias...

Sinta-se a vontade para visitar meu blog, o Meus Pensamentos.
http://lucasconrado.blogspot.com/